🌎 Onde fica o Monte Roraima e o que torna essa montanha tão lendária
Existe um lugar na Terra onde a linha do horizonte parece ter sido desenhada à mão, onde as nuvens tocam pedras que têm milhões de anos, e onde a sensação é de ter sido transportado para outro planeta. Esse lugar tem nome, história e lenda: Monte Roraima.
Localizado exatamente na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, o Monte Roraima é um dos destinos de aventura mais fascinantes e desafiadores do continente sul-americano. Seu território pertence em sua maior parte à Venezuela, mas também se estende ao Parque Nacional do Monte Roraima, no Brasil, e à região da Guiana.
🗺️ No mapa, um ponto remoto. Na realidade, uma janela para o passado da Terra.
O Monte Roraima é o mais famoso dos tepuis, nome dado às formações rochosas de topo plano características da região da Gran Sabana, na Venezuela. Esses gigantes de pedra são considerados algumas das formações geológicas mais antigas do planeta, datando de aproximadamente 2 bilhões de anos, desde a era Pré-Cambriana.
O que faz do Monte Roraima algo tão lendário não é apenas sua geografia surreal — um paredão vertical de até 400 metros de altura, com um topo completamente plano que se estende por mais de 31 km², cortado por vales, rios, cavernas e formações de pedra que parecem esculpidas por mãos divinas.
🏞️ Um ícone da aventura, da ciência e da imaginação
O Monte Roraima foi a inspiração direta para o clássico da literatura “O Mundo Perdido” de Arthur Conan Doyle, onde exploradores encontram um platô isolado habitado por criaturas pré-históricas. E, ao pisar lá, você entende por que. O topo do Monte realmente parece desconectado do resto do mundo, tanto visualmente quanto biologicamente, com espécies de plantas e animais que não existem em nenhum outro lugar da Terra.

🔥 Por que escalar o Monte Roraima é uma das experiências mais intensas da América do Sul
- Não se trata apenas de um trekking. É uma travessia física, mental, espiritual e emocional.
- A caminhada atravessa savanas abertas, rios, florestas, paredões de pedra e leva até um ambiente completamente alienígena no topo.
- A cada passo, a paisagem muda: de campos verdes a paredes verticais cobertas de nuvens, até chegar ao topo, onde o cenário parece outro planeta.
- As condições são extremas: chuvas, frio, ventos, calor e lama — tudo no mesmo dia.
- E, ainda assim, cada desafio é recompensado com a sensação indescritível de estar em um dos lugares mais primitivos, isolados e espetaculares do planeta.
Subir o Monte Roraima não é apenas uma conquista física. É um portal. Uma viagem no tempo. Uma conexão direta com o passado da Terra — e com a essência mais selvagem da própria existência.
🗺️ A trilha venezuelana menos conhecida – Qual é, onde começa e por que é tão especial
Se a rota tradicional para o Monte Roraima já é, por si só, uma das maiores aventuras do planeta, existe um caminho ainda mais selvagem, remoto e transformador. Pouco conhecido, pouco explorado e absolutamente impactante, esse caminho alternativo é para quem busca não apenas subir o Roraima — mas se fundir com a natureza em seu estado mais puro.
📍 Onde começa essa trilha alternativa?
A trilha menos conhecida para o Monte Roraima tem início em San Francisco de Yuruaní, uma comunidade indígena mais isolada da região da Gran Sabana, na Venezuela. Alternativamente, alguns guias oferecem rotas exclusivas partindo da própria Paraitepuy, porém desviando da rota padrão logo nas primeiras etapas, seguindo por trilhas paralelas menos pisadas e quase desconhecidas pela maioria dos turistas.
Esse trajeto é construído em parceria com guias locais e comunidades indígenas, que conhecem segredos da região que não aparecem em mapas ou roteiros tradicionais.
🥾 Diferenças em relação à rota tradicional:
- A trilha tradicional segue um caminho mais estruturado, com acampamentos bem conhecidos, trilhas abertas e maior fluxo de viajantes.
- A trilha alternativa, por outro lado, é muito mais selvagem.
- Os caminhos são mais fechados, passando por áreas de mata densa, campos de savana quase intocados e subidas menos “preparadas” para turismo.
- Ao invés de cruzar áreas batidas, você caminha por terrenos onde a natureza está em seu estado mais bruto — trilhas abertas no peito, às vezes seguindo rastros de animais, pequenas veredas de terra pisada ou, muitas vezes, apenas a orientação dos guias que conhecem cada detalhe daquele território.
- O isolamento é real: em alguns dias, é possível não cruzar com absolutamente ninguém além do seu grupo e da fauna local.
🌿 Por que essa trilha é tão especial?
✔️ Silêncio absoluto: longe dos roteiros mais turísticos, tudo que se ouve é o vento cortando a savana, o som dos rios e o eco dos próprios passos.
✔️ Exclusividade total: esse é o tipo de viagem em que você não é apenas turista — você se sente explorador. É caminhar por um território que parece nunca ter sido tocado, onde cada paisagem parece ter sido revelada só para você.
✔️ Imersão na natureza: a conexão com a fauna e flora é muito mais intensa. É comum avistar espécies que evitam as trilhas mais movimentadas, além de ter contato mais direto com formações rochosas, cavernas escondidas e mirantes que a rota tradicional não oferece.
✔️ Interação cultural autêntica: essa trilha fortalece o contato com comunidades indígenas Pemón de forma muito mais genuína. Durante o trajeto, você não apenas atravessa suas terras, mas aprende, escuta histórias, lendas, e compreende a relação ancestral que esse povo tem com a montanha sagrada.
✔️ Desafio e superação: fisicamente e mentalmente, esse trajeto exige mais. São subidas mais íngremes, travessias por terrenos alagados, trilhas lamacentas, variações bruscas de clima e total dependência da orientação dos guias. Mas cada metro conquistado entrega uma recompensa que poucos no mundo já experimentaram.
🏞️ Um caminho que muda quem você é.
Escolher a trilha venezuelana menos conhecida não é só sobre chegar ao topo do Monte Roraima. É sobre viver uma jornada onde você se reconecta com o planeta, com suas origens, com sua própria força. Onde o desconforto vira aprendizado, o silêncio vira cura e a natureza — em sua forma mais primitiva — se torna mestra.
🧗♂️ Descrição completa da escalada pela trilha alternativa
Explorar o Monte Roraima pela trilha venezuelana menos conhecida não é apenas uma viagem — é uma jornada de superação, introspecção e conexão total com a natureza. Cada etapa oferece desafios e recompensas que vão além do físico: é uma travessia que toca a alma.

✔️ Etapa 1 – Acesso e deslocamento até o início da trilha
O ponto de partida é a cidade de Santa Elena de Uairén, na Venezuela, na fronteira com o Brasil (Pacaraima, RR). A partir daqui, existem dois caminhos possíveis para quem escolhe a trilha alternativa:
- San Francisco de Yuruaní: acesso mais remoto, onde começa uma das variantes menos exploradas. O trajeto até a comunidade é feito por estradas de terra, em veículos 4×4, com duração média de 4 a 5 horas, dependendo das condições da estrada.
- Paraitepuy por rota alternativa: neste caso, o ponto de partida é o mesmo da rota clássica, mas os guias locais conduzem por trilhas paralelas, menos conhecidas e menos usadas.
Permissões:
- O acesso ao Monte Roraima é regulamentado pelas comunidades indígenas Pemón. É obrigatório contratar guias credenciados, que cuidam da logística, alimentação e montagem dos acampamentos.
- A contratação dos guias geralmente inclui transporte até o início da trilha, porteadores, alimentação completa, barracas e equipamentos básicos de camping.
✔️ Etapa 2 – Caminhada pela savana até o acampamento base
- Distância média: entre 14 e 16 km, dependendo do ponto exato de partida.
- Duração: 5 a 6 horas de caminhada, em terreno de savana aberta, com trechos de vegetação rasteira, subidas suaves e longas retas.
- Altimetria: ganho de aproximadamente 400 a 500 metros, mas de forma gradual.
Essa é a etapa da contemplação. O Monte Roraima aparece primeiro como uma sombra no horizonte, e à medida que as horas passam, vai crescendo, se agigantando até ocupar todo o campo de visão.
No caminho, é necessário atravessar rios — como o Tek River e o Kukenan River. Dependendo da época, o nível da água pode chegar à cintura, exigindo cautela e, muitas vezes, a ajuda dos guias para a travessia.
Chegada no acampamento base: ao pé do paredão colossal, o acampamento é montado cercado por montanhas, com o som constante das águas e do vento — o prenúncio do que vem pela frente.
✔️ Etapa 3 – Escalada pela trilha menos conhecida até o topo
Aqui começa o verdadeiro desafio. A trilha deixa de ser uma caminhada e se torna uma escalada natural, onde mãos e pés trabalham juntos em vários trechos.
- Distância: aproximadamente 4 a 6 km, mas com ganho de altimetria de 800 a 900 metros.
- Duração: 5 a 7 horas, dependendo das condições do clima e do terreno.
- Nível: exigente fisicamente e mentalmente.
Desafios do trajeto:
- Subidas íngremes por rochas molhadas, raízes e degraus naturais.
- Travessias por paredes de pedra onde correm filetes de água (ou verdadeiras cachoeiras, se choveu na véspera).
- Pontos onde é necessário usar as mãos para tração, escalando pequenos paredões naturais.
- Lama constante, trechos escorregadios e, frequentemente, nevoeiro denso que reduz a visibilidade.
O “Paso das Lágrimas”, uma passagem onde a água escorre permanentemente pelas pedras, é um dos pontos mais icônicos e desafiadores — exige equilíbrio, cautela e paciência.
Quando a subida termina, o primeiro passo no topo é uma mistura de alívio, êxtase e incredulidade. Você está, oficialmente, no “Mundo Perdido”.
✔️ Etapa 4 – A vida no topo do Monte Roraima
O topo do Monte Roraima não é um destino. É outro planeta. Um labirinto de pedras negras, fendas profundas, piscinas naturais de águas cristalinas, neblina constante e formações que parecem esculturas surrealistas.
Locais icônicos:
- Vale dos Cristais: um campo coberto de pequenos cristais de quartzo, brilhando ao sol — absolutamente mágico (hoje protegido, sem possibilidade de coleta, claro).
- Jacuzzi Naturais: piscinas de águas translúcidas, com bordas de quartzo, perfeitas para banhos gelados e restauradores.
- Pedra Maverick: o ponto mais alto do Monte Roraima, a 2.810 metros de altitude. A vista, se o clima permitir, é simplesmente avassaladora.
- La Ventana: mirante que oferece uma vista surreal do Kukenan Tepui, com paredões de centenas de metros despencando em direção à floresta.
Vida no topo:
- Temperaturas que podem cair abaixo de 5°C à noite, mesmo no verão.
- Neblina, chuva fina e vento constante fazem parte da rotina.
- A flora é única: plantas carnívoras, bromélias, musgos gigantes e um ecossistema que não existe em nenhum outro lugar do planeta.
A sensação: caminhar no topo do Monte Roraima é algo que não se descreve — se vive. É como andar na borda do mundo, cercado de silêncio, grandiosidade e um tipo de beleza que muda sua percepção sobre o que é essencial na vida.
🎒 O que levar na escalada pela trilha venezuelana menos conhecida
Encarar a trilha alternativa do Monte Roraima não é como fazer um trekking convencional. Trata-se de uma expedição em ambiente remoto, selvagem e imprevisível, onde estar bem equipado faz toda a diferença entre uma jornada incrível e um pesadelo logístico.
Aqui, cada item da mochila não é luxo — é necessidade real.
🥾 Equipamento essencial para enfrentar o Monte Roraima
✔️ Barraca: leve, resistente a ventos fortes, chuva constante e com boa impermeabilização. Modelos 4 estações são ideais.
✔️ Saco de dormir para frio extremo: com conforto térmico de pelo menos 0°C a -5°C. As noites no topo podem ser congelantes, mesmo no verão.
✔️ Isolante térmico: indispensável para se proteger do frio que vem do chão (solo úmido e gelado).
✔️ Roupas impermeáveis:
- Jaqueta técnica de trilha, à prova d’água e respirável.
- Calça impermeável leve, para vestir sobre a roupa de trilha.
✔️ Camadas térmicas: - Segunda pele (blusa e calça) para isolamento.
- Fleece ou jaqueta de pluma leve.
✔️ Bota de trekking: impermeável, confortável e já amaciada. O terreno é constantemente úmido, com lama, pedras e trechos escorregadios.
✔️ Headlamp (lanterna de cabeça): com pilhas extras — fundamental para acampamentos, imprevistos ou caminhadas antes do amanhecer.
✔️ Bastões de trekking: reduzem o impacto nos joelhos, ajudam nas subidas e nos trechos escorregadios.
🍫 Alimentação e hidratação na trilha
- A maioria dos grupos contratados inclui alimentação básica (arroz, macarrão, sopas, legumes, café e bolachas). Mesmo assim, leve reforços:
✔️ Snacks energéticos: castanhas, barras de proteína, frutas secas, chocolates, isotônicos em pó.
✔️ Sais minerais e eletrólitos: fundamentais para reposição durante longos dias de caminhada.
✔️ Comidas liofilizadas ou de preparo rápido: leves, práticas e nutritivas. - Hidratação:
✔️ Água é coletada de rios e nascentes pelo caminho. Leve: - Garrafa tipo squeeze (1 a 2 litros) + bolsa de hidratação (2 a 3 litros).
✔️ Sistema de purificação: - Filtro portátil (como Sawyer Mini), pastilhas de cloro ou purificadores UV. Apesar da água ser relativamente limpa, segurança vem em primeiro lugar.
🧭 Itens obrigatórios para segurança, navegação e conforto
✅ | Item | Observações |
---|---|---|
✔️ | Mochila cargueira (60-75L) | Com barrigueira e capa de chuva |
✔️ | Mochila de ataque (20-30L) | Para uso no topo e trilhas curtas |
✔️ | Saco estanque ou sacos plásticos reforçados | Protege roupas e eletrônicos da umidade |
✔️ | Power bank | Fundamental – não há energia elétrica |
✔️ | GPS offline ou app com mapa (Maps.me, Gaia) | Sem sinal na maior parte do trajeto |
✔️ | Kit primeiros socorros | Band-aids, esparadrapo, anti-inflamatórios, analgésicos, antialérgicos, remédios pessoais |
✔️ | Papel higiênico, lenços umedecidos e sacolas de lixo | Todo o lixo volta com você – regra de ouro |
✔️ | Faca ou canivete | Multiuso |
✔️ | Óculos de sol + protetor solar + protetor labial | Proteção total contra o sol e vento |
✔️ | Chapéu ou boné + luvas térmicas + gorro | Proteção para cabeça e mãos |
✔️ | Capa de mochila | Nunca saia sem |
🔥 Dicas valiosas para sua expedição:
- Menos é mais: leve apenas o essencial. Cada grama faz diferença após horas de subida.
- Organização salva: use sacos estanques para dividir roupas, alimentação, itens de higiene e eletrônicos.
- Secagem é um luxo: roupas molhadas podem não secar durante toda a expedição — tenha sempre uma muda seca protegida.
- Teste seus equipamentos antes: barraca, mochila, botas — tudo deve ser testado em trilhas menores antes da viagem.
🌟 No Monte Roraima, quem se prepara melhor vive mais a aventura — e menos o perrengue.
Quando você está equipado da forma certa, o desconforto vira parte do jogo e, no lugar da preocupação, sobra espaço para viver a experiência mais transformadora da sua vida.
🌦️ Melhor época para fazer a escalada pelo Monte Roraima
Subir o Monte Roraima não é apenas sobre resistência física ou espírito de aventura — é, também, sobre escolher o momento certo. O clima na região da Gran Sabana, onde o Roraima se ergue imponente, define completamente sua experiência na trilha: do nível de dificuldade à visibilidade dos mirantes e até sua segurança.
☀️ Quando ir – Meses mais indicados para a escalada
- A melhor época para fazer a escalada é na estação seca, que vai de dezembro a março.
- Durante esses meses, há menos chuvas, o que significa trilhas mais firmes, subidas menos escorregadias, acampamentos mais confortáveis e, principalmente, melhor visibilidade dos cenários surreais no topo.
- Dezembro, janeiro e fevereiro são considerados os meses com clima mais estável, com dias de céu limpo, menos nevoeiro e menor risco de trombas d’água nas encostas.
🌦️ Como a estação seca impacta na segurança e na experiência
✔️ Trilhas secas reduzem significativamente o risco de escorregões em pedras lisas e trechos de lama.
✔️ Travessias de rios, como o Tek e o Kukenan, ficam mais seguras e menos profundas.
✔️ Menor incidência de nevoeiros densos, permitindo visões espetaculares de mirantes como La Ventana e Pedra Maverick.
✔️ Acampamentos mais secos, roupas que secam mais rápido e uma logística geral muito mais confortável.
✔️ Menor risco de enxurradas repentinas nas subidas, especialmente nas passagens críticas como o Paso das Lágrimas.
🌧️ Desafios e riscos na temporada de chuvas (maio a outubro)
- A trilha se transforma. Lama constante, pedras escorregadias e travessias de rios muito mais perigosas.
- Risco real de trombas d’água nas paredes do Roraima, que podem tornar a escalada extremamente arriscada, especialmente nas passagens íngremes.
- No topo, o excesso de chuva gera alagamentos em várias áreas, acampamentos encharcados e temperaturas ainda mais baixas, com sensação térmica desconfortável.
- A visibilidade fica prejudicada. O que você esperava ver como paisagem surreal pode ficar encoberto por dias inteiros de nevoeiro e chuva constante.
Ainda assim, a temporada de chuvas tem sua beleza: o topo do Roraima fica repleto de rios temporários, cachoeiras descendo dos paredões e vegetação ainda mais vibrante. Mas é uma escolha para aventureiros mais experientes, com plena consciência dos desafios e riscos.
🎯 Dicas finais para escolher a melhor época:
- Se é sua primeira vez, vá na seca (dezembro a março). Segurança, conforto e garantia de viver o Roraima no seu auge visual e estrutural.
- Se não houver outra data disponível e você for na chuva, prepare-se: equipamentos de alta impermeabilidade, roupas extras sempre secas, contratação obrigatória de guias experientes e, principalmente, flexibilidade para lidar com imprevistos climáticos.
🌟 No Monte Roraima, a natureza dita as regras. E quem escolhe o tempo certo, não faz apenas uma viagem — vive uma transformação.
🚩 Desafios e cuidados especiais na trilha menos conhecida
Optar pela trilha venezuelana menos conhecida até o Monte Roraima não é apenas uma escolha de aventura. É um compromisso com uma experiência intensa, selvagem e profundamente transformadora — desde que seja encarada com o devido respeito, preparação e consciência dos desafios.
🌪️ Clima extremo – O primeiro e maior adversário
- No Monte Roraima, o clima é uma força viva e imprevisível.
- Variações rápidas: você pode começar o dia sob sol e céu limpo, e, em menos de uma hora, estar sob chuva torrencial, ventos fortes e nevoeiro tão denso que não enxerga 5 metros à frente.
- Ventos cortantes: especialmente na subida e no topo, são comuns e podem tornar passagens por penhascos extremamente perigosas.
- Frio intenso no topo: temperaturas que podem facilmente cair abaixo dos 5°C, combinadas com vento e umidade que elevam a sensação de desconforto térmico.
- Chuvas constantes: principalmente no final da tarde e à noite, que tornam trilhas, barrancos e pedras escorregadias.
⚠️ Riscos específicos da trilha menos conhecida
- Trombas d’água: uma das maiores preocupações na subida. A água acumulada nas encostas desce repentinamente, transformando trilhas em verdadeiras cachoeiras, especialmente nos trechos críticos como o Paso das Lágrimas.
- Trechos escorregadios: as pedras constantemente molhadas, cobertas por limo e musgos, se tornam armadilhas naturais, onde qualquer descuido pode gerar quedas sérias.
- Isolamento extremo: essa trilha é quase deserta. Se ocorrer um acidente, não há como pedir socorro imediato. O resgate, quando possível, pode levar horas ou dias, dependendo das condições do clima.
- Dificuldade de navegação: sinal de GPS, telefone ou qualquer forma de comunicação externa simplesmente não existe. O caminho depende inteiramente do conhecimento dos guias locais, que sabem identificar trilhas, passagens seguras e pontos de risco que não aparecem em mapas ou apps.
🧭 A importância dos guias locais experientes e do suporte logístico certo
- Aqui não é uma opção — é regra absoluta.
- Guias locais Pemón são os verdadeiros guardiões da trilha. Eles não apenas conhecem o caminho, mas entendem os sinais do clima, identificam riscos invisíveis para quem não é da região e tomam decisões que podem ser a diferença entre uma aventura incrível e um problema sério.
- Além da navegação, os guias cuidam da montagem dos acampamentos, preparação dos alimentos, cruzamento seguro dos rios e, principalmente, das estratégias para contornar imprevistos climáticos.
- Suporte logístico bem estruturado inclui: carregadores, equipamentos de camping adequados (barracas técnicas, mantas térmicas, utensílios de cozinha), alimentação suficiente para 6 a 10 dias e, se possível, rádios comunicadores (em alguns grupos mais bem equipados).
🌟 Respeite a montanha. Respeite a trilha. Respeite a si mesmo.
A trilha menos conhecida até o Monte Roraima não é sobre conquista. É sobre entrega. Sobre aceitar que, nesse lugar, você não está no comando — a natureza está. Quem se prepara, quem respeita os limites e quem entende a grandiosidade desse ambiente, vive uma das maiores experiências da vida.
✅ Dicas práticas e cuidados essenciais para quem escolhe essa rota alternativa
Escolher a trilha venezuelana menos conhecida até o Monte Roraima não é apenas sobre buscar aventura fora do convencional. É assumir uma responsabilidade consigo, com o grupo, com a natureza e com as comunidades que habitam essa região ancestral. Estar preparado — física, mental e logisticamente — é tão fundamental quanto o desejo de viver essa experiência.
💪 Preparação física e mental – O que você precisa entender antes de ir
- Essa trilha exige mais do que a rota tradicional: **dias mais longos de caminhada, trechos mais técnicos, subidas íngremes, atravessias de rios e um ambiente que cobra resiliência a cada
🌄 Como essa escalada transforma sua relação com a aventura, a natureza e você mesmo
Subir o Monte Roraima pela trilha venezuelana menos conhecida é muito mais do que um desafio físico. É uma travessia que acontece tanto fora quanto dentro de você. Poucos lugares no mundo são capazes de provocar uma transformação tão visceral, intensa e profunda.
Ali, no coração da Gran Sabana, cercado por paredes de pedra que existem há bilhões de anos, você descobre que não está apenas pisando sobre um território remoto — você está caminhando sobre a história viva do planeta. E é impossível sair desse ambiente do mesmo jeito que entrou.
O isolamento absoluto, o silêncio cortado apenas pelo vento e pelas águas que caem das encostas, te força a ouvir aquilo que, no dia a dia, a correria silencia: você mesmo. Aqui não há distrações. Não há internet, não há notificações, não há ruído do mundo moderno. Há apenas o seu corpo, sua mente, a imensidão da natureza e o tempo — que aqui, parece ganhar outro significado.
Cada subida íngreme, cada rio atravessado, cada passo na lama, cada acampamento armado sob a chuva ou o céu estrelado, te ensina mais sobre resiliência, sobre presença e sobre o que realmente importa. Superação, aqui, não é competir. É aceitar. É se adaptar. É se render, com respeito, ao que a natureza exige.
Ao caminhar sobre aquele topo surreal, onde pedras parecem esculturas de outro planeta, onde poças d’água refletem o céu como espelhos e onde você se vê cercado por um horizonte que parece não ter fim, você entende que conforto não tem nada a ver com colchões macios, internet ou rotinas. Conforto real é estar inteiro, presente, respirando profundamente e se sentindo parte — e não dono — do planeta.
Essa jornada redefine tudo. Seu conceito de tempo, de prioridades, de consumo, de pressa. O que era urgente, perde sentido. O que era invisível, se torna essencial: um céu limpo, uma mochila seca, um pôr do sol, um alimento simples, um sorriso compartilhado no acampamento.
E quando você volta, percebe que um pedaço daquele tepui ficou em você. E, mais do que isso, um pedaço seu ficou lá — eternamente conectado a um dos lugares mais selvagens, puros e extraordinários da Terra.